Startup do AM participa de Fórum Nacional que destaca iniciativas inovadoras para gestão das águas
Seleção do Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas reuniu experiências em monitoramento inteligente, tecnologia aplicada e fortalecimento da governança apresentadas no 26º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB 2025)
A gestão das águas está em transformação e a inovação foi o eixo central da série “Inovação nas Bacias”, apresentada pelo Fórum Nacional durante o26º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB de 2025).
A iniciativa reuniu experiências que demonstram como tecnologia, dados e inteligência estratégica vêm fortalecendo os Comitês de Bacias Hidrográficas e contribuindo para uma gestão mais eficiente, sustentável e transparente.
Entre os destaques está o Rover Aquático, projeto de monitoramento inteligente desenvolvido pelo estudante da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Manoel Nunes. O equipamento automatizado realiza medições em tempo real de pH, temperatura, turbidez e oxigenação da água, ampliando a precisão das informações e apoiando decisões mais rápidas e eficientes.
“Um ser humano não pode ficar 24 horas trabalhando em um rio; já um robô pode”, ressaltou o estudante, Manuel Nunes.
Da região Norte, o modelo Amazônia Inteligente recebeu atenção especial por integrar economia circular e tecnologia na gestão de resíduos. A iniciativa é liderada por Jadson Maciel, CEO da Awty Guardião dos Rios, e propõe soluções voltadas à redução do lixo plástico flutuante nos rios amazônicos.
“A preservação dos rios da Amazônia exige a incorporação urgente de tecnologia e inovação na gestão do lixo plástico flutuante. A Awty estrutura soluções inteligentes que transformam coleta em dados, eficiência operacional e impacto ambiental mensurável”, destacou, Jadson.
Outro destaque de tecnologia aplicada à gestão é o ECOIOT, rede de monitoramento baseada em Internet das Coisas (IoT). Desenvolvido na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em parceria com o Comitê das Bacias dos Rios Frades, Buranhém e Santo Antônio, o projeto utiliza sensores conectados que transmitem dados da qualidade da água em tempo real, permitindo acompanhamento contínuo e ampliando a transparência.
“A gente precisa monitorar para conhecer, observar para conhecer e é isso que estamos nos propondo a fazer”, afirmou Marcos Bernardes, coordenador do projeto ECOIOT.
As iniciativas selecionadas pelo Fórum evidenciam o fortalecimento institucional e a boa governança de iniciativas que impulsionam o cuidado hídrico no Brasil.
Região Amazônica representada
Destaque da região Norte, o modelo Amazônia Inteligente, da Awty Guardião dos Rios surge como uma solução estruturante para um dos maiores desafios da Amazônia na atualidade: o lixo plástico flutuante nos rios. A região, que abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, sofre com a poluição agravada pelo descarte irregular de resíduos sólidos.

Na contramão desse desafio, Jadson Maciel, CEO da Awty explica que o modelo conecta inovação, gestão e responsabilidade para transformar um problema crônico em solução estruturada.
“Não tratamos apenas da limpeza, mas da gestão inteligente desse resíduo. Trabalhamos com tecnologia e inovação para interceptar o plástico ainda na fase flutuante, gerar dados, mapear pontos críticos e estruturar uma logística sustentável de destinação. Sem tecnologia, não há escala. Sem dados, não há política pública eficiente”, enfatiza Jadson.
Contemplando uma nova fase de monitoramento e combate à poluição nos rios amazônicos, na última semana de fevereiro, a Awty Guardião dos Rios instalou uma ecobarreira no Igarapé do Gigante, um dos últimos cursos d´água que nascem dentro da cidade de Manaus (AM), afetado por uma grave crise ambiental em razão do descarte irregular de toneladas de lixo e resíduos sólidos.
O Igarapé é um dos 13 contribuintes do Rio Tarumã Açú e possui cerca de 7km de extensão, passando por cinco bairros e quatro conjuntos habitacionais.
“Estamos em um dos 13 contribuintes do Rio Tarumã-Açu. Fizemos a instalação da ecobarreira no Igarapé do Gigante. Esse contribuinte tem uma extensão de sete quilômetros e passa por cinco bairros e quatro conjuntos da cidade, trazendo todo o material que não é descartado de forma correta”, detalhou Jadson Maciel.
Por Vitória Serrão.
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