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Ciência, planejamento e logística: a preparação do Amazonas para a estiagem de 2026

Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma preocupação futura para se tornarem uma realidade presente na Amazônia. As secas severas registradas nos últimos anos demonstraram que os impactos das mudanças climáticas não se limitam ao meio ambiente, mas afetam diretamente a economia, a logística, a produção industrial e a qualidade de vida da população.

Diante desse cenário, ganha cada vez mais relevância a utilização da ciência como ferramenta de apoio à tomada de decisões. Foi justamente com esse propósito que a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), promoveram a apresentação do Prognóstico Climático para a estiagem de 2026, reunindo representantes do setor produtivo, especialistas e gestores públicos.

As projeções indicam a permanência de condições associadas ao fenômeno El Niño entre julho e agosto deste ano, com intensidade entre moderada e forte. Embora a expectativa seja de uma estiagem menos severa do que a histórica seca de 2023, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento antecipado, especialmente em relação à logística de abastecimento e transporte de cargas, cujo período mais crítico poderá ocorrer entre outubro e novembro.

Para o Polo Industrial de Manaus, essa antecipação é estratégica. O modelo Zona Franca depende fortemente da navegação fluvial para o recebimento de insumos e o escoamento da produção. Qualquer redução significativa da navegabilidade dos rios pode gerar aumento de custos, atrasos nas cadeias produtivas e impactos sobre empregos e investimentos.

Por isso, a integração entre conhecimento científico e atividade econômica torna-se um diferencial competitivo. O trabalho desenvolvido pelo Labclim permite previsões com horizonte de 30 a 45 dias e elevado grau de confiabilidade, oferecendo informações que auxiliam empresas e órgãos públicos a adotarem medidas preventivas e reduzirem riscos operacionais.

Mais do que reagir às crises, o Amazonas precisa fortalecer uma cultura de prevenção. Planejar estoques, antecipar o transporte de insumos, revisar cronogramas logísticos e monitorar continuamente os cenários climáticos são ações que podem fazer a diferença entre enfrentar uma estiagem com resiliência ou sofrer prejuízos significativos.

Nesse contexto, a atuação conjunta entre instituições de pesquisa, setor produtivo e poder público demonstra que o desenvolvimento sustentável da Amazônia passa necessariamente pelo uso inteligente da informação. Ciência, tecnologia e inovação não são apenas instrumentos de conhecimento, mas também ferramentas essenciais para garantir competitividade econômica e segurança logística em uma região onde os rios continuam sendo as principais vias de integração.

A experiência recente mostrou que a previsibilidade é um ativo valioso. Transformar dados científicos em informação estratégica é o caminho para que o Amazonas esteja cada vez mais preparado para enfrentar os desafios climáticos e proteger sua atividade econômica, seus empregos e seu futuro.

*Leopoldo Montenegro é Superintendente da Suframa, Bacharel em Administração e Direito, Mestre em Engenharia de Produção, apaixonado por inovação, desenvolvimento tecnológico e pela Zona Franca de Manaus.

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