Novo Airão recebe o Festival AMÁ, um encontro de saberes que conecta clima, inovação e criatividade
Entre os dias 11 e 13 de setembro, Novo Airão, no Amazonas, recebeu a primeira edição do Festival AMÁ, uma experiência que reuniu pessoas, ideias, culturas e diferentes formas de conhecimento em uma programação distribuída por diversos espaços da cidade.
O AMÁ nasce como um Encontro de Saberes na Amazônia. Sua proposta é conectar clima, inovação e criatividade a partir de diferentes perspectivas, aproximando discussões que circulam pelo mundo das experiências e dos conhecimentos que existem no território amazônico.

A ideia é criar um espaço onde diferentes conhecimentos possam se encontrar para discutir questões que ultrapassam as fronteiras da região, mudanças climáticas, novas tecnologias, criatividade, desenvolvimento, bioeconomia, investimentos, cultura e os diferentes caminhos possíveis para o futuro.
Idealizado por Macaulay Abreu, o festival parte da percepção de que alguns dos grandes desafios contemporâneos precisam ser discutidos a partir de múltiplos territórios e perspectivas. E que a Amazônia tem muito a contribuir para essas conversas.
“Essa primeira edição do Festival AMÁ foi muito importante para fazermos as primeiras experiências de conexão de territórios e pessoas com cosmovisões diferentes dentro do contexto do evento que propõe debates sobre temas transversais.” – Macaulay Abreu
A experiência também serviu para testar uma maneira diferente de construir um festival. Em vez de concentrar toda a programação em um único espaço, o AMÁ ocupou diferentes pontos de Novo Airão, envolvendo parceiros, empreendedores, artistas, instituições e visitantes.
A programação foi organizada em duas dimensões: a Trilha de Conhecimento, com painéis e conversas, e a Trilha de Sentimento, dedicada a experiências que estimulassem outras formas de conexão com as pessoas e com o território.
Yoga, arte, espiritualidade, moda e esporte dividiram espaço com debates e conteúdos sobre temas contemporâneos.

“A gente conseguiu desenvolver diversas atividades, tanto na Trilha de Conhecimento quanto na Trilha de Sentimento, possibilitando que as pessoas tivessem acesso a painéis com conteúdo de alta qualidade, pudessem participar de algumas vivências, como yoga, conversas sobre arte e espiritualidade, acompanhar desfile de moda e até mesmo participar de uma meia maratona.” – Macaulay Abreu

Uma cidade como parte da experiência
Levar o festival para diferentes espaços de Novo Airão foi uma escolha que ajudou a aproximar o evento da dinâmica da cidade.
Restaurantes, espaços culturais, áreas de convivência, locais ligados ao turismo e outros pontos do município passaram a fazer parte da programação. A circulação das pessoas pelo território criou oportunidades para que diferentes parceiros e iniciativas locais participassem da experiência. Essa primeira edição ajudou a compreender o potencial dessa lógica de conexão.
“A gente conseguiu viabilizar que o evento acontecesse em várias áreas da cidade, que tivesse ativação de marca através de atividades de vários parceiros e que, principalmente, conseguisse mobilizar pessoas de outras cidades para se pensar e mudar o mundo a partir da Amazônia.”
A frase sintetiza uma das ideias centrais do AMÁ: pensar o mundo a partir da Amazônia. A proposta é reconhecer que questões globais podem ganhar novas perspectivas quando discutidas a partir de um território que concentra alguns dos grandes desafios e possibilidades do nosso tempo.
Bioeconomia, inovação e novos caminhos

Dentro dessa perspectiva, a relação entre bioeconomia e inovação aparece como uma das frentes que o AMÁ pretende aprofundar.
A Amazônia reúne biodiversidade, conhecimentos tradicionais, cadeias produtivas, criatividade, empreendedores e uma diversidade de experiências econômicas e culturais que podem dialogar com novas tecnologias, modelos de negócio e formas de financiamento. O desafio é aproximar esses mundos.
O AMÁ se propõe em ajudar a criar um ambiente onde uma cadeia produtiva amazônica possa conversar com tecnologia, onde empreendedores locais possam encontrar novos mercados e investidores e onde conhecimentos tradicionais possam dialogar com empresas, universidades e organizações que trabalham na fronteira da inovação.
Essa conexão está diretamente relacionada à ambição de transformar o festival, ao longo do tempo, em uma plataforma de desenvolvimento territorial.
A proposta é que as conexões criadas durante os três dias não terminem quando a programação chega ao fim. O festival pode funcionar como ponto de encontro de uma rede permanente, aproximando pessoas, organizações, capital, conhecimento, negócios e iniciativas que tenham interesse em construir novas possibilidades para a região.
Trazer o mundo para discutir soluções na Amazônia

É também nessa direção que está uma das perspectivas para as próximas edições do AMÁ.
O festival pretende trazer para a Amazônia discussões sobre soluções e investimentos relacionados ao clima que hoje acontecem em fóruns, eventos e centros de decisão ao redor do mundo.
A ideia é aproximar investidores, empresas, pesquisadores, governos, organizações e empreendedores dos territórios onde parte dos desafios climáticos se manifesta e onde soluções relacionadas à conservação, bioeconomia e inovação já estão sendo desenvolvidas.
Isso significa trazer para dentro da Amazônia conversas sobre financiamento climático, novas tecnologias, transição econômica, conservação, bioeconomia e inovação, conectando essas agendas às pessoas e organizações que vivem e atuam no território.
A perspectiva é criar uma via de mão dupla: levar conhecimentos e oportunidades globais para a Amazônia e, ao mesmo tempo, levar para o mundo conhecimentos, soluções e perspectivas que nascem na região.
Saberes que já existem no território

Para Suzianne Fonseca, secretária de Inovação da Prefeitura de Novo Airão, o festival abriu espaço para reconhecer e colocar em circulação conhecimentos que já fazem parte da vida do município.
“O festival representou para o município uma nova oportunidade de aprendizagem, de troca de saberes e de valorização dos povos da floresta, além de apresentar todo o potencial educacional e empreendedor desse povo.” – Suzianne Fonseca
A secretária também destaca a relação entre a iniciativa e o turismo, defendendo uma perspectiva que valorize o território e, ao mesmo tempo, preserve suas características naturais e culturais.
A experiência do AMÁ reforçou, assim, uma dimensão importante para Novo Airão: o turismo como possibilidade de encontro com a natureza, mas também com as pessoas, os saberes, a cultura e a produção local.
Turismo como encontro com o território
Para Ellen Castro, da Iguana Turismo, patrocinadora do festival e responsável pelo Desfile de Moda Airãoense, a participação no AMÁ reforçou uma visão de turismo que passa pelo contato com as pessoas, seus saberes e sua produção. Para ela, levar visitantes a Novo Airão significa apresentar a região, mas também criar oportunidades para que conheçam sua ancestralidade, seus artistas e empreendedores; o contato direto com esses atores permite à própria empresa descobrir novas possibilidades de experiências e roteiros turísticos, fortalecendo uma cadeia local que inclui cultura, criatividade e sustentabilidade.
O próximo capítulo do AMÁ
A primeira edição do Festival AMÁ deixa uma experiência e, principalmente, uma direção.
A construção de um Encontro de Saberes na Amazônia que possa conectar diferentes pessoas, conhecimentos e territórios e criar espaço para conversas que não precisam começar nem terminar na Amazônia.
Novo Airão oferece o território, sua cultura, sua natureza, suas pessoas e sua capacidade de receber. O AMÁ acrescenta uma rede de conexões que pretende crescer a cada edição. O próximo passo é ampliar essa rede.
Trazer novos participantes, aproximar investidores e empreendedores, conectar iniciativas locais a redes nacionais e internacionais e criar espaços para discutir soluções concretas relacionadas ao clima, à inovação, à criatividade e à bioeconomia.
A ambição é fazer com que o festival se desenvolva como uma plataforma capaz de aproximar território e mundo, conhecimento e capital, criatividade e oportunidade, bioeconomia e inovação.
Depois de três dias, o AMÁ encerrou sua primeira edição. Mas as conexões que deram origem ao festival permanecem abertas.
Porque a proposta é justamente essa: criar um lugar para encontrar saberes, aproximar pessoas e pensar novos futuros, a partir da Amazônia.
Redação i9Brasil.
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