Câncer de mama após os 60: por que a prevenção não pode parar com o envelhecimento
Com o avanço da idade, cuidados devem ser individualizados, mas mulheres longevas não devem abandonar o acompanhamento médico e a atenção aos sinais do próprio corpo
O envelhecimento da população brasileira traz novos desafios para a saúde da mulher, entre eles a necessidade de manter a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama ao longo da vida. Embora o Outubro Rosa seja tradicionalmente associado à conscientização sobre a doença, a chegada aos 60, 70 ou 80 anos não deve significar o abandono dos cuidados com as mamas.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama feminina no Brasil em 2026, fazendo da doença o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no país, sem considerar os tumores de pele não melanoma.
Para a médica oncologista Dra. Danielle Amaro, cofundadora do canal Longidade, falar sobre prevenção na longevidade é também combater a ideia de que, depois de determinada idade, exames e cuidados deixam de ser necessários.
“Envelhecer não significa deixar de prevenir ou investigar doenças. O que muda é que o cuidado precisa ser cada vez mais individualizado. A mulher longeva deve ser avaliada considerando sua saúde global, histórico familiar, doenças preexistentes, expectativa e qualidade de vida. A idade cronológica, isoladamente, não deve determinar que ela deixe de receber atenção”, explica a especialista.
Atualmente, o Inca recomenda o rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, considerando as evidências disponíveis sobre benefícios e riscos da estratégia. Para mulheres acima dessa faixa etária, a decisão sobre a realização de mamografias deve ser individualizada, levando em conta as condições de saúde e os riscos e benefícios para cada paciente.
Isso significa que completar 60, 70 anos não deve ser interpretado como uma “data de validade” para os cuidados com as mamas. Segundo a oncologista, é importante que a mulher mantenha consultas médicas regulares e converse com seu médico sobre a necessidade de continuar ou não o rastreamento.
“Não existe uma regra única que possa ser aplicada a todas as mulheres longevas. Uma mulher de 75 anos saudável, ativa e sem grandes limitações pode ter uma realidade completamente diferente de outra da mesma idade que apresenta diversas doenças crônicas. Por isso, a decisão deve ser compartilhada com o médico e considerar o conjunto de características daquela paciente”, destaca Dra. Danielle.
Além dos exames indicados individualmente, a especialista reforça a importância de que a mulher conheça o próprio corpo e procure atendimento diante de alterações suspeitas, independentemente da idade. Caroço ou nódulo persistente na mama, alterações na pele, retração do mamilo, secreção sanguinolenta ou mudanças no formato da mama devem ser avaliados por um profissional de saúde. O INCA destaca que o reconhecimento de sinais e sintomas suspeitos e o acesso rápido à investigação são estratégias importantes para o diagnóstico precoce.
A prevenção também passa por hábitos que contribuem para uma vida mais saudável, como manter atividade física regular, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, açúcar, sal e alimentos ultraprocessados, não fumar, manter uma alimentação equilibrada e controlar o peso. Na longevidade, esses cuidados ganham ainda mais importância por contribuírem para a prevenção de diversas doenças crônicas.
Para conhecer mais acesse o Instagram e site do canal Longidade.
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