Exposição na Ufam reúne histórias de mulheres vítimas de violência em Manaus
Onze mulheres que romperam o ciclo da violência doméstica terão suas histórias contadas
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio da Escola Estadual de Socioeducação do Amazonas (EES-AM), em parceria com o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), convida a comunidade para a abertura da mostra “Sem Medo de Viver”, com histórias de 11 mulheres que romperam o ciclo de violência.
A abertura da exposição na Ufam será realizada nesta quarta-feira (22/04), às 16h, no Centro de Convivência do campus universitário, setor Norte. A mostra segue no local até 22 de maio. O momento apresenta relatos com depoimentos completos de Rebeca Louise, Andréia Batista, Neuza Farias, Luciane Lopes, Darling Bessa, Simone Sousa, Vanderuth Sena, Elizabet Sousa, Brenda Oliveira, Nadia Macedo e Maria Mônica.
Para o Defensor Público Geral, Rafael Barbosa, a exposição é um incentivo para que mulheres em situação de violência se sintam encorajadas a denunciar as agressões.
“Queremos fortalecer um ambiente de acolhimento, em que a mulher se sinta segura para relatar a violência sofrida e, a partir desse passo, iniciar um novo ciclo de vida, com acesso à proteção e aos seus direitos”, afirmou Rafael Barbosa.
Para a defensora pública Caroline Braz, coordenadora do Nudem, a mostra dá visibilidade a trajetórias que inspiram.
“A história de cada uma serve para inspirar aquelas que ainda não conseguem enxergar um futuro melhor. Para nós, é emocionante, porque é o nosso trabalho dando resultado. O mais importante é mostrar que existe vida depois da violência”, afirmou.
Relatos reais
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher mostra que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 2025. O número reflete a realidade de muitas mulheres que, diariamente, enfrentam situações de agressão física, psicológica ou patrimonial dentro do próprio ambiente familiar. A exposição busca inspirar outras mulheres a superarem essa realidade e mostra que é possível reconstruir a própria história após romper o ciclo da violência.
A mostra apresenta relatos sensíveis e trajetórias de resiliência de mulheres que romperam o ciclo da violência, utilizando a fotografia e o depoimento como ferramentas de emancipação e sensibilização social.
Entre as mulheres retratadas está Luciane Lopes. “No momento, eu me sinto muito feliz. É uma renovação, uma liberdade de amor e de paz. Hoje eu estou livre, liberta. Estou me sentindo nas nuvens aqui, sendo homenageada. Sendo uma porta-voz das mulheres que se calam. Porque hoje a coragem de viver é muita. Hoje eu sou a voz da coragem”, disse emocionada.
Outra homenageada é Andréia Batista, que destaca o impacto de transformar uma experiência dolorosa em inspiração para outras mulheres. “Às vezes a gente vai vivendo e recortando pedaços da vida. Alguns a gente guarda, outros leva como bandeira. Mas não é um afeto que a gente visita todos os dias. Pra mim, esse foi o papel da Defensoria: dar nome ao que eu estava vivendo e me mostrar que dava pra fazer outra coisa”, contou.
Parceria interinstitucional
A mostra será realizada na Ufam graças à parceria interinstitucional entre a Escola Estadual de Socioeducação do Amazonas (EES-AM/Ufam) e a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), instituições que atuam na promoção de direitos e no fortalecimento das políticas públicas.
Para a Pró-Reitora de Extensão da Ufam, professora Flávia Melo, esse momento representa um importante espaço de sensibilização social e de valorização das histórias de mulheres que encontraram forças para reconstruir suas vidas após situações de violência. “A exposição também reforça o papel da universidade como espaço de diálogo, reflexão e transformação social”, destacou.
A iniciativa da EES-AM soma mais uma ação institucional da universidade ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e reflete o empenho da instituição na conscientização e no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Por: Ágatha Gonçalves.
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