É do Amazonas o 1° lugar em maratona nacional de empreendedorismo e inovação
Fórum promovido pelo Semesp reuniu mais de 1000 participantes em São Paulo, nos dias 16 e 17 de setembro; Fundacred lançou o Módulo Financeiro do Beta-i, rodou uma pesquisa aplicada com lideranças e estudantes e levou ao palco principal as soluções dos universitários do 9º HackLab
Mais de 1000 participantes do setor educacional, entre gestores, mantenedores, educadores e pesquisadores de instituições de ensino superior privadas e públicas, além de especialistas internacionais e representantes do poder público, passaram pelo 28º FNESP, o maior fórum de ensino superior da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Promovido anualmente pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, o evento teve como tema “O ponto de não retorno da educação superior: de um caminho consolidado a múltiplas direções”, que norteou os debates ao longo dos dois dias.
Pela primeira vez como apresentadora do FNESP ao lado do Semesp, a Fundacred, fundação de crédito educacional com sede em Porto Alegre, esteve presente em diferentes frentes da programação: no lançamento do Módulo Financeiro do Beta-i, sua plataforma de inteligência de dados para instituições de ensino; na realização de uma pesquisa aplicada durante o fórum; e em um painel na plenária principal.
A parceria também se estendeu ao 9º HackLab, maratona empreendedora promovida pelo Semesp e, neste ano, correalizada pela Fundacred, que reuniu estudantes de graduação de instituições de ensino superior públicas e privadas de todo o país para desenvolver soluções para desafios reais do ensino superior. Os projetos finalistas foram apresentados a gestores e lideranças do setor durante o FNESP, e o “UniBridge” foi o grande vencedor da edição, com a premiação realizada no palco principal.
A leitura que a fundação levou ao fórum nasce da escuta contínua das instituições e tem nome, Trajetórias em Convergência: cada instituição vive o próprio contexto educacional, com desafios específicos de captação e de equilíbrio financeiro, mas o destino é comum, viabilizar o acesso, a permanência e a mobilidade social de quem estuda. Responder a contextos tão diferentes pede uma infraestrutura de inteligência, com dados organizados, e com insights à disposição das instituições. Esse é o papel do Beta-i, que transforma dados públicos, pesquisas de campo e marcadores estruturados em indicadores comparativos para apoiar as instituições no equilíbrio financeiro, na precificação e na visão de praça, em meio ao avanço da inteligência artificial e aos novos marcos regulatórios. No FNESP, a plataforma ganhou o Módulo Financeiro, o Filtro de Praça e o Simulador de Precificação, apresentados no estande da fundação.
A escuta ganhou um desdobramento dentro do próprio fórum: uma pesquisa aplicada, que conecta quem planeja a educação a quem vive a experiência da formação, e busca uma leitura mais rica, diversa e cuidadosa dos diferentes contextos educacionais.
Durante o primeiro dia, os gestores presentes priorizaram, entre quatro eixos de investigação: formas de aprender e modelos de formação, carreira e trabalhabilidade, valor e relevância do ensino superior e Inteligência artificial e tecnologia no ensino superior, os temas e as perguntas que consideram decisivos. Um time de pesquisadores levou essas perguntas a 272 estudantes de 9 instituições de ensino superior de São Paulo, com perfis distintos de posicionamento. As evidências voltam ao público do fórum em devolutiva, organizadas em três lentes: o olhar dos gestores, a percepção dos estudantes e os pontos de convergência entre eles.
Gestores e estudantes priorizaram temas diferentes. Entre as lideranças, Inteligência artificial e tecnologia no ensino superior concentrou 30% das escolhas. Entre os estudantes, a carreira e a trabalhabilidade lideraram, com 29%. Os primeiros resultados foram compartilhados com o público no palco principal do FNESP, mas o trabalho continua após o fórum.
Na plenária, Tássia Warken, Partner & Business Advising Director da Método Dutra e conselheira da Fundacred, conduziu o painel “O que vale em uma trajetória profissional?”, sobre as escolhas que constroem uma carreira. No mesmo palco, a resposta veio dos próprios estudantes: os pitches do 9º HackLab colocaram diante de reitores e pró-reitores as soluções pensadas por quem vive a universidade todos os dias.
Para o presidente da Fundacred, Nivio Lewis Delgado, apresentar o fórum é coerente com o papel que a fundação construiu ao lado das instituições.
“Há mais de cinco décadas escutamos as instituições de ensino e transformamos conexões valiosas em vínculos, para gerar oportunidades para os estudantes. O que levamos ao FNESP é essa escuta convertida em dados, método e crédito, na medida em que cada instituição precisa. O ponto de não retorno pede decisões bem informadas, e o nosso papel é fazer junto o que ninguém consegue fazer sozinho. Falamos em Trajetórias em Convergência porque cada instituição segue o próprio caminho, mas o destino é o mesmo: o estudante entrando, permanecendo, concluindo a sua formação e encontrando o seu lugar no mercado de trabalho”, afirma.
HackLab: a universidade vista por quem a vive
Promovido pelo Semesp, o 9º HackLab reuniu 28 estudantes de graduação de 23 instituições e 11 estados, selecionados por vídeo entre inscritos de 46 instituições. De 15 a 17 de setembro, na sede do Semesp e no Anhembi, as sete equipes combinaram pesquisa, mentoria técnica e checkpoints de maturidade até o pitch final diante de uma banca com lideranças do mercado. É o protagonismo estudantil como método: um exercício de inovação aberta em que quem vive a universidade desenha as respostas para os dilemas que ela enfrenta.

1º lugar, Grupo Cafs com o projeto UniBridge
O UniBridge resolve a falta de experiência que trava a entrada de recém-formados no mercado, já que até estágios exigem experiência prévia (39,9% apontam essa barreira, 29,5% seguem sem o primeiro emprego até 3 anos após formados). A plataforma conecta empresas, universidades e alunos: em vez de vagas, empresas submetem problemas reais, e alunos de qualquer curso se inscrevem para resolvê-los. O aluno sai com portfólio real e certificado validado pela extensão universitária. A universidade ganha reputação e mais matrículas por virar referência em resolver problemas reais.
Ana Luiza Baquião Vidigal, Libertas Faculdades Integradas
Arthur Demarchis Farias, Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL)
Gustavo Alex da Silva Souza, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
João Augusto de Freitas, Centro Universitário Fundação de Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB)
2º lugar, Grupo Spider Labs com o projeto Serébelo
O Serébelo resolve a falta de visibilidade das instituições de ensino superior sobre como os alunos realmente estudam e usam IA no dia a dia. Hoje 78% dos gestores não têm nenhum dado sobre esse comportamento, que muda semestres antes de aparecer em indicadores formais como o Enade, e nesse intervalo nada fica registrado. A plataforma acompanha o hábito de estudo do aluno (incluindo uso de IA) e devolve à instituição um diagnóstico da turma e um painel de acompanhamento antes da prova, vendido como pacote pré-Enade por ciclo avaliativo, com planos por curso, campus ou rede.
Jorge Giannetti Chaves, Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP)
Mariana Cristina Rodrigues de Oliveira, Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Raíssa Juliane Baptista de Mattos, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Thiago José Nunes de Almeida, UniFacema (Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão)
3º lugar, Grupo Ajas com o projeto Ajas
O Ajas resolve o descompasso entre o que as faculdades ensinam e o que o mercado de trabalho exige. Hoje 42% dos estudantes não se sentem seguros para atuar na área após formados, e mais de 14 milhões de profissionais vão precisar se requalificar até 2027, sinal de que os currículos não acompanham a mudança nas competências pedidas. A plataforma cruza o plano de ensino de cada disciplina com bases de mercado (CBO, Future of Jobs do WEF e uma amostra real de vagas), aponta os gaps de competências por disciplina e deixa o gestor decidir quais aceitar. As sugestões aceitas viram recomendações para o professor incorporar nas aulas, sem alterar o plano de ensino oficial.
Ana Clara da Silva, Centro Universitário Eniac
Anny Solergibert Vasconcelos, Centro Universitário Tabosa de Almeida (ASCES-UNITA)
João Victor de Lima, Centro Universitário Hermínio Ometto (FHO)
Sofia Gomes Amorim Santos, Centro Universitário Espírito-Santense (FAESA)
O 1º lugar recebeu R$ 10 mil, divididos entre os estudantes, além de uma bonificação de R$ 200 para cada integrante. Cada participante do 2º lugar recebeu um tablet e R$ 200. Já cada estudante do 3º lugar recebeu um Kindle e R$ 200. As três equipes também foram contempladas com a Mentoria Fundacred.
Entre os vencedores, Gustavo Alex da Silva Souza, 20 anos, estudante da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e membro da equipe UniBridge, resume o que a experiência representou.
“Participar do HackLab foi uma das melhores experiências da minha vida. Vir do Amazonas e ter a oportunidade de representar o Norte do país foi algo extremamente gratificante. Poder mostrar que talentos estão espalhados por todo o Brasil e que, muitas vezes, só precisam de uma oportunidade para serem descobertos é algo incrível. Ser um dos vencedores da 9ª edição do HackLab é carregar comigo a bagagem e a responsabilidade de ter participado da história de universitários que acreditam no poder da inovação e se dedicam a construir uma educação melhor. Que essa iniciativa alcance muitos outros talentos!”, afirma.
Sobre o Semesp
Fundado em 1979, o Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, tem como objetivos oferecer soluções para o desenvolvimento sustentável das instituições associadas e contribuir para a melhoria da educação acadêmica no país. Comprometido com a inovação, coordena redes de cooperação educacional, realiza estudos por meio do Instituto Semesp e promove a interação entre mantenedoras, profissionais e estudantes. Organiza eventos como o FNESP, maior fórum de ensino superior da América Latina, o Conic, as Jornadas Regionais, as Missões Técnicas nacionais e internacionais, entre outros, além de capacitar profissionais por meio da Universidade Corporativa Semesp.
Redação i9Brasil.
Foto: Felipe Sant’Ana.
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