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Resíduos do Festival de Parintins viram novos negócios

Antes descartado após o Festival de Parintins, “resíduos do festival” ganharam novo significado nas mãos de artesãos, designers e trabalhadores da economia criativa da ilha.

A iniciativa faz parte do projeto “Do Festival ao Futuro: Parintins Criativo”, desenvolvida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Nacional e Sebrae Amazonas, Prefeitura de Parintins e os bois-bumbás da cidade.

Com isso, plumas, tecidos, estruturas cenográficas e adereços utilizados pelos bois-bumbás Caprichoso e Garantido estão sendo reaproveitados em peças de decoração, moda, mobiliário e produtos autorais com identidade amazônica.

A proposta une sustentabilidade, empreendedorismo e valorização cultural para ampliar as oportunidades de geração de renda além do período do festival.

Segundo o Sebrae, o projeto nasceu da necessidade de fortalecer economicamente os artistas e trabalhadores criativos que atuam durante o Festival de Parintins, mas enfrentam dificuldades para manter a renda ao longo do restante do ano.

A gestora do projeto de artesanato do Sebrae Amazonas, Lilian Simões, destaca que a iniciativa partir da lógica da economia circular, transformando materiais considerados resíduos em matéria-prima criativa.

Economia criativa e sustentabilidade

O Festival de Parintins movimenta milhões de reais todos os anos e impulsiona setores como turismo, gastronomia, artesanato e comércio. E grande parte dessa movimentação econômica fica concentrada apenas no período da festa.

Com o “Parintins Criativo”, a proposta é consolidar a cidade como um polo permanente de economia criativa e inovação cultural na Amazônia.

Essas oficinas criativas promove desenvolver produtos inspirados na estética do festival, mas voltados para comercialização durante todo o ano.

Entre os itens produzidos estão luminárias, bolsas, peças decorativas, mobiliário, acessórios e objetos de design feitos com materiais reaproveitados das alegorias e fantasias dos bois-bumbás.

Novos mercados para artistas locais

Foto: Rodrigo Amorim

O projeto começou com cerca de 40 participantes e já reúne dezenas de artesãos e trabalhadores criativos da ilha. Além da capacitação técnica, os participantes recebem orientação sobre tendências de mercado, design, inovação e comercialização.

A artesã Taiana Ferreira, integrante do coletivo Mãos Criadoras, afirma que o projeto ajudou a ampliar a visão sobre as possibilidades econômicas da cultura parintinense.

“O festival não acaba quando as luzes do Bumbódromo se apagam. Existe um potencial enorme de transformar esses materiais em arte, produto e oportunidade”, relata.

Já para a artesã Tatyana Monteiro, o contato com novas técnicas e perspectivas permitiu enxergar suas criações também como produtos de mercado.

“Hoje consigo ver minha peça como expressão artística, mas também como um produto com potencial real de comercialização”, afirma.

Cultura como motor de desenvolvimento

Além do reaproveitamento de resíduos, o projeto também fortalece o debate sobre sustentabilidade cultural e preservação ambiental dentro do Festival de Parintins.

A iniciativa dialoga com conceitos de economia circular e desenvolvimento sustentável, incentivando a redução do desperdício e a valorização dos saberes amazônico.

Essa experiência de Parintins pode futuramente servir de modelo para outras grandes manifestações culturais brasileiras, como o Carnaval e o São João.

Combinando tradição, inovação e empreendedorismo, o projeto busca mostrar que a cultura amazônica também pode gerar desenvolvimento econômico contínuo, fortalecendo artistas locais e criando novos caminhos para a economia criativa da região.

i9Brasil, com informações Agência Sebrae de Notícias

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