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Tratado Mercosul-União Europeia não deve comprometer competitividade da Zona Franca de Manaus

Por Leopoldo Montenegro*

A consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia — em vigor provisório desde 1º de maio de 2026 — marca um dos mais relevantes movimentos de integração econômica das últimas décadas. O tratado, negociado ao longo de mais de 20 anos, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo aproximadamente 720 milhões de pessoas.

Naturalmente, a abertura comercial gera debates importantes sobre seus impactos na indústria brasileira. No caso da Zona Franca de Manaus e do Polo Industrial de Manaus (PIM), avalio que não há motivos para alarmismo.

Imagem gerada por IA: Divulgação/ Suframa

A tendência é que os impactos sobre o Polo Industrial sejam limitados, principalmente porque existe baixa convergência entre os produtos fabricados no PIM e aqueles tradicionalmente produzidos pela indústria europeia. Grande parte dos segmentos instalados em Manaus atua em cadeias produtivas distintas das predominantes na União Europeia, reduzindo significativamente a concorrência direta.

Além disso, a Zona Franca de Manaus possui características únicas e exerce papel estratégico para o Brasil. O modelo não representa apenas uma política industrial, mas também um instrumento de desenvolvimento regional, soberania nacional e preservação ambiental.

O fortalecimento do Polo Industrial de Manaus contribui diretamente para a geração de emprego, renda e oportunidades formais na Amazônia, ao mesmo tempo em que ajuda a manter a floresta em pé por meio de uma economia sustentável baseada na indústria, na tecnologia e na inovação.

É claro que todo processo de abertura econômica exige atenção e acompanhamento permanente. O Brasil ainda precisa avançar em temas estruturais fundamentais, como logística, infraestrutura, segurança jurídica e redução do chamado “Custo Brasil”, para ampliar sua competitividade internacional.

Mesmo diante desse cenário, vejo o acordo entre Mercosul e União Europeia com equilíbrio, responsabilidade e cautela técnica. Seguiremos atentos aos desdobramentos do tratado, sempre trabalhando para preservar a competitividade, a segurança jurídica e a importância estratégica da Zona Franca de Manaus para o desenvolvimento do País.

*Leopoldo Montenegro é Superintendente da Suframa, Bacharel em Administração e Direito, Mestre em Engenharia de Produção, apaixonado por inovação, desenvolvimento tecnológico e pela Zona Franca de Manaus.

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