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Quando integrar é desenvolver: o recado da Jornada de Integração da Suframa no Amapá

Por: Leopoldo Montenegro, superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa)

A presença do Estado na Amazônia costuma ser medida por obras, cifras e programas. Mas, cada vez mais, ela precisa ser avaliada pela capacidade de construir pontes — entre regiões, entre saberes e, sobretudo, entre oportunidades e pessoas. Nesse contexto, a Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento no Amapá, promovida nesta semana (22 e 23 de abril) pela Suframa e instituições parceiras, oferece mais do que uma agenda institucional: ela aponta para um reposicionamento estratégico da própria ideia de desenvolvimento amazônico.

Ainda persiste, no imaginário nacional, a visão da Amazônia como uma fronteira geográfica a ser ocupada ou preservada. Essa leitura, embora não seja totalmente equivocada, é insuficiente. A região é, antes de tudo, uma fronteira do conhecimento. É onde biodiversidade, inovação tecnológica e saberes tradicionais se encontram — e onde o Brasil pode construir vantagens competitivas únicas. Iniciativas como a Jornada sinalizam que essa mudança de paradigma começa a ganhar forma concreta.

A escolha do Museu Sacaca como palco do encontro não foi meramente simbólica. Trata-se de um espaço que traduz, na prática, o que deveria orientar as políticas públicas para a região: a integração entre ciência e conhecimento popular. Ribeirinhos, indígenas e extrativistas não são apenas parte da paisagem social amazônica; são agentes centrais de um modelo de desenvolvimento que precisa ser inclusivo e sustentável.

Outro aspecto relevante é o esforço de aproximação institucional. Ao reunir gestores públicos, setor produtivo, academia e o ecossistema de inovação, a Jornada reforça que o desenvolvimento não se constrói de forma isolada. Ele depende de articulação. E, nesse ponto, a Suframa parece buscar um papel mais ativo, não apenas como gestora de incentivos fiscais, mas como indutora de conexões estratégicas.

Não por acaso, esta foi a primeira edição com a participação integral dos superintendentes-adjuntos da Autarquia, sinalizando prioridade estratégica para o estado.

Os números apresentados — mais de R$ 100 milhões em investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação nos últimos anos, sendo R$ 15 milhões destinados a Macapá — mostram avanços importantes.
No entanto, eles também revelam um desafio: ampliar o alcance dessas políticas. O fato de existirem milhares de empresas cadastradas no Amapá, mas ainda um contingente significativo fora desse sistema, indica que o gargalo não é apenas de recursos, mas de comunicação e acesso.

Talvez o ponto mais promissor da Jornada esteja justamente na valorização da bioeconomia e da inovação aplicada. Projetos como o desenvolvimento de tecnologias para a piscicultura ou plataformas de visão computacional para segurança pública demonstram que a Amazônia não precisa escolher entre preservar e desenvolver — ela pode inovar a partir de suas próprias potencialidades.

Ao mesmo tempo, as visitas técnicas e agendas paralelas evidenciam uma preocupação legítima com a atração de investimentos. Mas é preciso cautela: atrair capital não deve ser um fim em si mesmo. O verdadeiro desafio é garantir que esses investimentos estejam alinhados com um projeto de desenvolvimento que respeite as especificidades locais e gere benefícios duradouros para a população.

No fim, a Jornada no Amapá deixa uma mensagem clara: integrar é mais do que conectar territórios — é alinhar visões de futuro. Se bem conduzida, essa estratégia pode transformar a Amazônia de periferia econômica em protagonista de um novo modelo de desenvolvimento, baseado em conhecimento, inovação e sustentabilidade. Caso contrário, corre-se o risco de repetir velhos padrões, apenas com uma nova narrativa.

O momento, portanto, exige mais do que celebração de avanços. Exige consistência, continuidade e, sobretudo, a capacidade de transformar encontros institucionais em resultados concretos para quem vive na região.

Números abaixo expressam bem como a Suframa vem transformando a Amazônia Ocidental e Amapá, com as jornadas de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento.

  • Jornadas realizadas: 20
  • Jornadas realizadas no Amapá: 3

Fonte: Superintendência-Adjunta Executiva (SAE/Suframa).

  • Total de recursos investidos: R$ 100,2 milhões (R$ 100.239.076,81)
  • Total investido no Amapá: R$ 11 milhões

Fonte: Superintendência-Adjunta de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (SDI/Suframa).

Quantidade de empresas cadastradas até 2022

  • AMOC e Amapá: 14.963
  • Amapá: 3.680

Quantidade cadastrada no período de janeiro de 2023 a 20 de abril de 2026

  • AMOC e Amapá: 7.196 total 22.159
  • Amapá: 2.466 total 6.146

Fonte: Superintendência-Adjunta de Operações (SAO/Suframa)

*Leopoldo Montenegro é Superintendente da Suframa, Bacharel em Administração e Direito, Mestre em Engenharia de Produção, apaixonado por inovação, desenvolvimento tecnológico e pela Zona Franca de Manaus.

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Fotos: Crédito das fotos: Layana Rios/Suframa.

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