#É destaque

Produtos inovadores são feitos com tradicional fruto amazônico

O açaí é um símbolo da Amazônia e está presente na alimentação, na cultura e na economia de diferentes comunidades da região. No Amapá, o fruto está se destacando como matéria-prima para negócios que apostam na inovação e na criação de produtos de maior valor agregado. 

Na 55ª Expofeira, evento que reúne empreendedorismo e negócios diversos do território amapaense, essa diversidade aparece no Corredor do Açaí, espaço dedicado a empreendedores e produtores que trabalham com o fruto. 

Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, Edivan Barros, o governo tem buscado fortalecer o açaí como produto estratégico para a economia estadual.

“O governo está trabalhando com as cooperativas, com os empreendedores e com os produtores para transformar o açaí cada vez mais num produto estratégico da economia amapaense”, afirma.

Para o secretário, o crescimento do próprio Corredor do Açaí no evento demonstra o avanço da atividade.

“Hoje o açaí é um dos principais produtos da bioeconomia amazônica e um dos principais também da economia amapaense. No ano passado, o Corredor do Açaí tinha 10 empreendedores e nessa edição já somam 20”, destaca Barros.

Produção de peso

Em 2024, o Amapá produziu cerca de 22 mil toneladas de açaí em 1.760 hectares, movimentando aproximadamente R$ 65 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. 

A cadeia também tem peso social: o Sindicato dos Produtores e Beneficiadores dos Produtos da Floresta no Estado do Amapá (Sindaçaí) representa cerca de 7 mil extrativistas, batedores e pequenos empreendedores ligados ao fruto no estado.

Açaí é matéria prima para produtos inovadores

A expansão da cadeia do açaí também passa pela criação de produtos que ultrapassam a comercialização tradicional da polpa. Um exemplo é a startup Pizzolato, que produz uma bebida fermentada de açaí, apresentada como “vinho de açaí”

Para o CEO da empresa, Grimaldo Ferreira (foto de capa), transformar o fruto é uma forma de agregar valor a uma cadeia que ainda possui potencial econômico a ser explorado dentro da própria região.

“Nós conseguimos, através do vinho de açaí, agregar valor nessa cadeia e agregar renda às pessoas que vivem aqui”, explica.

A bebida produzida no Amapá, segundo o empreendedor, chega ao mercado com a proposta de disputar espaço inclusive com produtos internacionais.

“A gente consegue gerar um produto de valor agregado, com sabor e notas muito excelentes, capaz de competir com vinhos europeus. Tudo sendo feito aqui na Amazônia, com toda a cadeia sendo beneficiada”, afirma.

A inovação também está presente no trabalho da Amazonbai, cooperativa de produtores que atua no arquipélago do Bailique, na região do Beira Amazonas e junto a povos originários da Terra Indígena Wajãpi.

De acordo com o presidente da cooperativa, Amiraldo Picanço, a produção é desenvolvida a partir de práticas de manejo de mínimo impacto e já deu origem a uma variedade de produtos comercializados dentro e fora do Brasil.

Além da polpa, a cooperativa trabalha com produtos como sorvete, sorbet (sobremesa gelada feita apenas com água, açúcar e polpa ou suco de frutas) e açaí liofilizado, processo que permite retirar a água do alimento e ampliar suas possibilidades de conservação e comercialização.

Em maio de 2026, a Amazonbai fechou um acordo para fornecer 15 mil toneladas de açaí certificado para uma rede de distribuição da China ao longo de cinco anos. 

“É uma cooperativa de produtores que saiu do Bailique e que conquistou o mundo, fazendo um trabalho responsável, cuidando da natureza, cuidando do meio ambiente e principalmente cuidando das pessoas”, afirma Amiraldo.

O açaí tem ainda uma dimensão que antecede sua chegada aos mercados nacional e internacional. Nas comunidades ribeirinhas, o fruto faz parte da alimentação cotidiana e da própria dinâmica econômica local.

“O açaí é o principal produto da economia do estado do Amapá e, na nossa região ribeirinha, é o produto que mais nós consumimos no dia a dia. É o principal produto da alimentação diária da nossa comunidade”, disse ao Portal i9Brasil.

Além do potencial econômico, o açaí produzido no Amapá também carrega características ligadas ao território onde é cultivado e consumido. 

“O açaí é um produto único nosso do Norte e o Amapá tem uma particularidade. Nós estamos na Foz do Rio Amazonas, de frente com o Oceano Atlântico. É um açaí com gosto diferente, com uma qualidade diferente”, ressalta Amiraldo.

No Amapá, as iniciativas de negócios que utilizam o açaí mostram que agregar tecnologia e inovação ao fruto pode ampliar seu valor e, ao mesmo tempo, manter parte dessa riqueza circulando no território onde ela é produzida.

Texto e fotos: Luana Simões/ Especial para o Portal i9Brasil

Leia também