AI Product Manager da Bemol Digital fala sobre IA e mais
O Portal i9Brasil foi até a Bemol Digital para conversar com Lucas Almeida, paulistano de 30 anos que é AI Product Manager na empresa. Em uma entrevista exclusiva, ele falou sobre o evento BDXP 2026, Inteligência Artificial nos Ambientes Corporativos, o Futuro e a Prática profissional e ainda revelou o que pare ele é tendência e mito diante de tantas inovações tecnológicas. Confira a entrevista feita pela jornalista Amanda Mota:
- PORTAL I9BRASIL – A divulgação da realização do BDXP 2026 gerou muita expectativa no Amazonas. Para quem está acompanhando agora, o que torna a edição deste ano tão diferente e essencial em comparação aos anos anteriores?
LUCAS ALMEIDA – “A grande virada é essa: nas edições anteriores, a gente mostrava o que é IA e para onde o mundo estava indo. Em 2026, a conversa mudou, ninguém mais precisa ser convencido de que IA é real. Então essa edição é toda voltada para a prática: como isso funciona no chão de fábrica dos negócios. São três palcos simultâneos, mais de 20 palestrantes, oficinas hands-on, arena de empreendedores e uma feira de negócios com startups e empresas que já estão aplicando IA de verdade. E o nível dos convidados diz muito, além dos nossos próprios times da Bemol mostrando cases reais de varejo e mercado financeiro”.
- PORTAL I9BRASIL – “A Bemol tem uma histórica uma força no Amazonas. Qual é a importância de sediar um evento de tecnologia e inovação desse porte, como o BDXP, diretamente aqui em Manaus, longe do eixo Rio-São Paulo?
LUCAS ALMEIDA – “Essa talvez seja a parte que mais me orgulha. Historicamente, quem queria acessar esse tipo de conteúdo tinha que pegar um avião para o eixo Rio-São Paulo. O BDXP inverte essa lógica, traz o conteúdo global até aqui. A Amazônia tem talento, tem universidade forte, tem um polo industrial gigante e tem problemas reais que a tecnologia pode resolver. O que faltava era ecossistema, era ponto de encontro. Quando a Bemol coloca tanta gente boa no mesmo palco em Manaus, ela está dizendo que a inovação não tem CEP. E o efeito composto disso é enorme, estudante que se inspira, empresa local que fecha parceria, profissional que decide ficar na região em vez de migrar”.
- PORTAL I9BRASIL – Percebemos uma chamada forte para a transformação digital nas divulgações feitas pela Bemol Digital sobre o BDXP deste ano. Quem é o profissional ou a empresa que não pode de jeito nenhum ficar de fora do BDXP 2026 na sua opinião?
LUCAS ALMEIDA – “Eu diria que três perfis não podem ficar de fora! Primeiro, o gestor ou dono de empresa que sente que está ficando para trás, aquele que ouve falar de IA todo dia mas ainda não sabe por onde começar. Segundo, o profissional de qualquer área, não precisa ser de tecnologia, que quer entender como usar IA para multiplicar a própria produtividade, porque o mercado já está separando quem usa de quem não usa. E terceiro, o estudante e o empreendedor, porque o BDXP é provavelmente a maior concentração de oportunidades de networking em tecnologia que a região Norte tem no ano. Se você se encaixa em algum desses, é perfeito”.
Inteligência Artificial nos Ambientes Corporativos
- PORTALI9BRASIL – Fala-se muito sobre Inteligência Artificial, mas muitas empresas ainda veem isso como algo de ficção científica ou exclusivo para as ‘Big Techs’. Como você percebe que a Bemol Digital enxerga a aplicação prática da IA para o varejo e para o dia a dia corporativo?
LUCAS ALMEIDA – “Na Bemol Digital a gente enxerga IA como ferramenta de trabalho. E o varejo é um laboratório perfeito para isso, porque tudo é mensurável, estoque, crédito, logística, atendimento etc. O que eu sempre digo é que a barreira de entrada despencou. Cinco anos atrás, aplicar IA exigia um time de cientistas de dados. Hoje, com os modelos de linguagem e as plataformas atuais, uma empresa média consegue automatizar atendimento, análise de documentos e relatórios em semanas. Na Bemol, a gente estruturou isso como cultura e plataforma interna para que qualquer área da empresa consiga consumir IA sem precisar reinventar a roda. IA deixou de ser projeto de Big Tech para ser infraestrutura básica de negócio, como foi o e-mail e a planilha”.
- PORTAL I9BRASIL – A implementação da IA não é apenas uma mudança de software, mas uma mudança de cultura. Como treinar e preparar as equipes para entenderem a IA como uma aliada, e não como uma ameaça aos seus empregos?
LUCAS ALMEIDA – “Essa é a parte mais difícil, e a mais importante, eu acredito. Software se compra, cultura não. Na Bemol a gente atacou isso em três frentes. Primeiro, treinamento massivo e prático, eu mesmo e todos os membros do comitê de IA conduzem capacitações de IA para times executivos e operacionais, e a regra é sempre a mesma, a pessoa sai do treinamento tendo resolvido um problema real dela, não tendo assistido slides. Segundo, democratização do acesso, a gente colocou ferramentas de IA na mão das pessoas, inclusive distribuindo máquinas próprias para IA para colaboradores experimentarem. Quando a pessoa usa e vê a própria produtividade dobrar, o medo vira curiosidade. E terceiro, a mensagem certa da liderança, IA não veio substituir o profissional, veio substituir as tarefas repetitivas que impedem o profissional de fazer o trabalho que realmente importa. Quem entende isso vira aliado da transformação. Hoje, existem diversos casos na Bemol de pessoas que conseguiram automatizar quase todo o trabalho que faziam e acabaram sendo realocada para outra função, nós temos uma diretriz bem definida sobre esse tema de demissão, elas não acontecem por conta de IA”,
- PORTAL I9BRASIL Puxando para o lado dos negócios: onde a IA já está fazendo a diferença real dentro da própria Bemol ou nas empresas que vocês observam? É na logística, no atendimento ao cliente, na análise de dados?
LUCAS ALMEIDA – “Em todas as frentes que você citou, mas te dou exemplos concretos. No atendimento, automação de conversas via WhatsApp com IA, que no varejo é onde boa parte do cliente está, resolvendo desde dúvida de pedido até agendamento. Na área de crédito e dados, modelos de machine learning apoiando decisões que antes eram puramente manuais. Em RH, a gente usa IA até para entender e antecipar retenção de talentos. E tem um ganho silencioso que pouca gente comenta, mas é a mais poderosa, produtividade individual. Análise que levava uma semana sai em um dia; relatório executivo que levava horas sai em minutos. Somando isso na escala de uma empresa com milhares de colaboradores, o impacto no resultado é enorme. E o mais legal do BDXP é que vários desses cases vão estar lá, apresentados por quem construiu”.
O Futuro e a Prática
- PORTAL I9BRASIL – Gestores e empreendedores que querem começar a usar IA amanhã na sua empresa, por onde devem começar para não errar?
LUCAS ALMEIDA – “Meu conselho é: comece pequeno, comece pela dor, e comece hoje mesmo. O maior erro é o oposto, passar seis meses montando ‘estratégia de IA’ sem nunca testar nada. Passo um: identifique um processo repetitivo e chato que consome tempo do seu time, responder às mesmas perguntas de clientes, resumir documentos, montar relatórios. Passo dois: resolva esse problema específico com ferramentas que já existem, sem projeto faraônico. Passo três: meça o resultado, mostre para o time e escale. O segundo maior erro é achar que IA é projeto da TI. Não é, é projeto do negócio. Quem tem que estar na sala é quem sente a dor. E um alerta, cuidado com o dado. Antes de sair colocando informação da empresa em qualquer ferramenta, entenda as políticas de privacidade e governança. IA sem governança é passivo, não ativo, já comece do início em conjunto com o time de cibersegurança, de início pode ter alguma fricção, mas garanto que com pouco tempo se torna mais simples e mais seguro. Outra dica que dou para todos, que veio do próprio Denis, CEO da Bemol: para começar a se tornar um usuário avançado de IA, para uso comum de produtividade, utilize pelo menos durante 10 horas, não seguidas, mas no total”.
- PORTAL I9BRASIL – Para quem for ao BDXP 2026, que tipo de imersão em IA essa pessoa pode esperar?
LUCAS ALMEIDA – “Imersão completa, no sentido literal. A pessoa vai encontrar palestras com especialistas técnicos diversos, mas também oficinas práticas onde ela vai colocar a mão na massa. Vai ver cases reais da Bemol, de varejo, de crédito, de dados, contados por quem implementou, com erros e acertos. Vai ter arena de empreendedores e feira de negócios para quem quer se conectar com startups e parceiros. E sim, as discussões sobre uso responsável, ética e governança de IA estão na pauta, porque não dá para falar de adoção séria sem falar disso. É um dia inteiro, das 9h às 18h30, três palcos simultâneos. A pessoa monta a própria trilha de acordo com o nível dela, do iniciante ao técnico avançado”.
Bate-Bola
- A maior tendência de tecnologia para 2026 é: “Agentes de Codificação, Claude Code, Japiim Code, Codex”.
- Um mito sobre IA que precisa acabar hoje: “IA vai roubar seu emprego. Quem pode ocupar o seu lugar é um profissional que usa IA melhor que você”.
- O mercado de tecnologia na Amazônia em uma palavra: “Despertando”.
- PORTAL I9BRASIL – Deixe seu convite final para o BDXP 2026 e diga onde o pessoal pode garantir a participação ou saber mais sobre o evento.
LUCAS ALMEIDA – “Meu convite é simples: dia 15 de agosto no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. Um dia inteiro de imersão em Inteligência Artificial com o que há de melhor no Brasil e no mundo, sem precisar sair da Amazônia. Os ingressos são limitados e estão à venda na Sympla, é só buscar ‘BDXP Inteligência Artificial 2026’, e todas as informações estão em bdxp.bemol.com.br. Se você quer entender como a IA vai transformar o seu negócio, a sua carreira e a nossa região, o lugar para estar é esse. Te vejo lá!”
Sobre o entrevistado
Lucas Almeida é AI Product Manager na Bemol, atua em projetos de inteligência artificial, inovação e transformação digital. Com experiência em tecnologia, ciência de dados e aplicações de IA no varejo, participa do desenvolvimento de soluções estratégicas voltadas para produtividade, automação e negócios digitais. Também atua na disseminação do uso de IA na região Norte por meio de iniciativas e plataformas desenvolvidas pela Bemol. Possui quatro certificações da NVIDIA em inteligência artificial e cursa MBA no Babson College (Boston, Class of 2028), escola referência mundial em empreendedorismo.
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