Tecnologia é aliada do Maio Laranja pelo Brasil
Neste 18 de maio, o Brasil se une no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Instituída pela Lei Federal nº 9.970/00, a data é um marco de conscientização e memória que convoca toda a sociedade a agir em defesa dos direitos humanos dos jovens brasileiros. Ao longo de todo este mês, a campanha nacional Maio Laranja é realizada para conscientizar e combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, num grande movimento relacionado à data e, ainda, em favor da prevenção, alerta e incentivo às denúncias desse tipo de crime.
Pelo território nacional de modo geral e, também, na Amazônia – região continental repleta de comunidades isoladas e grandes desafios logísticos, a tecnologia tem se provado uma ferramenta de valor inestimável — tanto como rede de proteção quanto como meio de conectar o futuro às oportunidades de amanhã.
Longe de ser apenas um espaço de riscos, o ecossistema digital, quando devidamente regulamentado e utilizado, atua como um escudo e um catalisador de benefícios para crianças, adolescentes e famílias. Novas estratégias do Governo Federal por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a consolidação do inovador Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital — Lei nº 15.211/2025) demonstram que a inteligência artificial (IA) e o desenvolvimento tecnológico estão mudando as regras do jogo a favor da vida.
O poder da tecnologia benéfica
Para os jovens que habitam às margens dos rios amazônicos ou os grandes centros urbanos do Norte, a inclusão digital significa o acesso democrático ao conhecimento, à cultura e à educação de ponta. Quando protegidas por arquiteturas digitais seguras, as telas transformam-se em janelas de oportunidades, oferecendo cursos profissionalizantes e conectando a floresta às melhores mentes científicas do mundo.
Mais do que isso, a própria tecnologia está sendo moldada para purificar o ambiente virtual de ameaças. Através do uso responsável de Inteligência Artificial pelas autoridades brasileiras, o monitoramento, a identificação e a derrubada de conteúdos abusivos ganharam um reforço em larga escala no primeiro quadrimestre de 2026. Em vez de substituir o cuidado humano, a IA atua como um farol de alta performance, cruzando dados de forma automatizada para coibir violações de direitos antes mesmo que elas cheguem às vistas dos vulneráveis.
De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a agenda foca em impulsionar o desenvolvimento de ferramentas pelas próprias redes que impeçam o direcionamento de publicidades abusivas e bloqueiem conteúdos nocivos logo na origem.
O ECA Digital e a responsabilização das plataformas
A consolidação do ECA Digital trouxe uma mudança estrutural e filosófica: a segurança digital passou a ser pensada “desde o design” (safety by design). Com a legislação plenamente em vigor, as big techs e plataformas de compartilhamento deixam de agir apenas após a ocorrência do problema e passam a ter obrigações preventivas rigorosas.
Relembre quando o ECA Digital entrou em vigor:
A defensora Ramylle Holanda, titular da 3ª Defensoria da Infância de Fortaleza, ressalta que, até recentemente, bastava a criança ou adolescente se autodeclarar maior de 18 anos para acessar conteúdos adultos na internet. Com o ECA Digital, porém, a autodeclaração por si só não é mais válida.
“As plataformas e empresas passam a ter a obrigação de desenvolver mecanismos capazes de verificar efetivamente a idade do usuário e impedir que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos inadequados. A legislação traz justamente esse novo enfoque de responsabilização das empresas, reconhecendo que crianças e adolescentes são mais vulneráveis no ambiente digital e precisam de uma proteção mais robusta.” afirma Ramylle Holanda.
Para a defensora, o ambiente virtual é um espaço amplo e que exige acompanhamento constante. Ela faz uma analogia clara e impactante sobre o papel protetivo que a sociedade e os pais devem exercer, mesmo diante de dispositivos inovadores:
“Ninguém deixa uma criança sozinha em uma praça cheia de gente. O ambiente virtual também é um espaço público, só que muito maior. Muitas vezes, a criança passa o dia inteiro com um celular ou tablet na mão, mas as pessoas esquecem que ela pode se comunicar com qualquer pessoa do mundo, ter acesso a conteúdos inadequados e ficar exposta a diversos riscos sem acompanhamento.” ressalta a defensora da Infância.
Em favor das famílias: classificação indicativa e filtros
Outro pilar do avanço tecnológico voltado à proteção infantojuvenil foi a reclassificação de grandes plataformas de vídeo. Medidas que readequaram o uso do YouTube, por exemplo, mostram como as ferramentas institucionais ajudam os pais na curadoria do que entra em suas casas.
De acordo com a defensora Nadinne Callou, supervisora da Defensoria de Petição Inicial e Atendimento de Juazeiro do Norte (CE), a reclassificação do YouTube tem caráter de orientação e representa uma medida importante de proteção.
“Entendo que ela foi benéfica porque, de fato, na plataforma de compartilhamento de vídeos existem conteúdos potencialmente nocivos e prejudiciais ao desenvolvimento psíquico e emocional de crianças e adolescentes”, destaca Nadinne Callou.
Apesar de a engenharia tecnológica dar passos rápidos na construção de algoritmos mais éticos e protetivos, o crime organizado e as práticas nocivas também tentam se adaptar, o que demanda vigilância e atualizações normativas permanentes das agências reguladoras e do judiciário. A defensora Nadinne reconhece que garantir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual ainda é um grande desafio.
“Muitas vezes, as grandes empresas e os próprios usuários se valem de artifícios para mascarar conteúdos adultos, dando a eles uma aparência infantilizada para atrair crianças e adolescentes. Então, essa tarefa de fato não é fácil, mas é possível com apoio e embasamento do ECA Digital”, afirma a supervisora.
Processo gradual para o futuro
Ao analisar o impacto global e a implementação prática dessas tecnologias e leis de proteção digital, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, pontuou recentemente em pronunciamentos oficiais coletados pela Agência Brasil que a entrada em vigor do arcabouço normativo do ECA Digital reflete o desejo do Estado brasileiro de virar a página do abandono digital, mas reforça que a “transformação não é imediata”. Trata-se de um processo contínuo de adaptação de práticas, no qual a tecnologia serve de aliada para auditar as redes digitais, garantindo que o lucro corporativo nunca fique acima da prioridade absoluta da infância.
Para a região amazônica, onde o i9Brasil pulsa inovação, celebrar o 18 de maio sob a ótica da tecnologia significa entender o ambiente virtual como solo fértil para o crescimento saudável de nossos jovens. Fortalecer ferramentas de controle parental, auditar plataformas com auxílio de Inteligência Artificial e unificar dados de denúncias integrados ao Disque 100 são passos tecnológicos urgentes para pavimentar caminhos mais humanos, seguros e prósperos para as gerações que preservarão e liderarão o futuro do nosso país.
Para entender o avanço regulatório, acesse o documento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) sobre novas diretrizes de fiscalização de plataformas.
Por Amanda Mota/ i9Brasil Portal de Notícias
Imagem gerada por IA
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