Além do 1º clique: Como reinventar o tempo pedagógico na segunda onda da IA
Por Jhonatan Xavier*
O tempo é algo precioso para os docentes, independente da etapa que estão lecionando. Costumo dizer em minhas aulas nos processos de formação continuada, e conversando com os colegas da educação, que, ao menos nas grandes metrópoles, muitos docentes já passaram do primeiro contato com a IA, aquele efeito de deslumbramento e grande surpresa já deu lugar a uma próxima pergunta: “O que fazer agora que já tive o primeiro contato com a IA?”. Esse questionamento, revela que os desafios agora são outros, como otimizar ainda mais o tempo pedagógico após esse primeiro impacto?
Ferramentas como o Gemini e o ChatGPT, expoentes dentro da IA generativa, já são conhecidos de grande parte dos docentes, entretanto, o debate atual deve se direcionar para as estratégias que nos permitam aprender e utilizar os recursos tecnológicos para aprimorar nosso trabalho e otimizar o tempo pedagógico, auxiliando na qualidade de vida e aprimoramento dos processos pedagógicos que são próprios da carreira docente.
Para efeito de contextualização, lembramos que a IA Generativa é um tipo específico de tecnologia que simula a capacidade humana de criar novos conteúdos, por exemplo, textos, imagens e até mesmo músicas, a partir de dados existentes. Como exemplos mais populares, temos os chatbots como o Gemini e o ChatGPT (Chalco,et.al, 2024).
Flores, Irala e Piovesan (2026), destacam que, com o avanço acelerado da IA, ela tem se tornado uma importante aliada para a criação de materiais didáticos distintos, em diferentes formatos e com grande possibilidade de personalização pedagógica, precisamos voltar o olhar para estudos que reflitam sobre o uso da IA na criação de materiais pedagógicos.
Diante disso, podemos apontar alguns caminhos que auxiliam os profissionais da educação a melhorar sua interação com as ferramentas da IA, superando a formulação de perguntas genéricas, geração de planos de aula muito amplos e que sejam mais relacionados com as reais necessidades do contexto em que trabalham.
Uma das possibilidades é o investimento no estudo para elaboração de prompts (comandos) mais elaborados, ao invés de pedir apenas um plano de aula para determinada disciplina em determinado assunto, aprimore com pedidos específicos, pergunte-se, por exemplo “quanto tempo terei para executar esse plano? Tenho quantos estudantes em minha sala? Preciso de adaptações para estudantes com necessidades especiais? Preciso de sugestões de estratégias de avaliação?”. Ao fazer esses questionamentos e acrescentá-los em seus pedidos, você obterá uma resposta mais adequada ao que realmente precisa, sem que a IA apresente respostas genéricas que podem não estar alinhadas ao que você realmente precisa.
O estudo do prompt correto, nos ensina o valor de fazer a pergunta certa, refinar a pergunta e o pensamento faz parte do processo pedagógico e valoriza o pensamento crítico.
Outra possibilidade, é o docente usar a IA como auxiliar para tarefas operacionais, atuando como um curador de recursos pedagógicos, ao focar nisso, o docente pode fazer pesquisas de filtro para conteúdos relevantes para sua disciplina, e ganhando tempo para focar na mediação, escuta ativa e metodologias que façam sentido na realidade do estudante, adaptando um mesmo conteúdo para realidades diferentes, estilos de aprendizagem e diferentes níveis de proficiência, algo que antes, demandava, horas de estudo individualizado.
Hoje a criação de pequenos programas para gerir o trabalho pedagógico podem ser feitos mesmo por profissionais que não possuem conhecimentos prévios de programação, apenas com a elaboração de comandos específicos, ferramentas como o Gems do Gemini e o Notebook LM, são novas ferramentas que estão democratizando o acesso ao desenvolvimento de materiais pedagógicos por muitos docentes, desafio você a pesquisar mais sobre eles.
Chalco (et.al, 2024), observam que a incorporação da IA generativa na educação, propõe ao docente a ampliação de sua alfabetização digital, para que possam desenvolver competências essenciais para seu uso eficaz e ético.
E, como sempre reforço, é importante estar atento a eventos e encontros de formação continuada para que saibamos as novidades no campo da IA e do seu uso nas práticas pedagógicas, estes encontros aumentam nosso repertório de uso e nos fazem estar em atualização com as práticas que fazem sentido às novas gerações que se apresentam nas escolas conforme o tempo passa.
A alfabetização digital garante que saibamos que a IA não substitui o trabalho crítico do docente em relação à sua prática pedagógica, pois o seu uso requer, conhecimento pedagógico, intencionalidade educativa e compreensão dos seu funcionamento, para que seus benefícios sejam aplicados de forma crítica (Nascimento, Martins e Santos, 2026).
Encerrando a reflexão, penso que os desafios depois do primeiro contato, incluem o aprimoramento dos comandos enviados aos chatbots e demais ferramentas que usam a IA, o objetivo deste artigo é mostrar aos docentes que podemos utilizar com sabedoria esse recurso e entender que a segunda onda da IA está se desenhando e nos permite otimizar ainda mais os recursos pedagógicos e ressignificar o nosso tempo, investindo em qualidade de vida, e consequentemente na melhora das atividades pedagógicas, a IA deve ser vista como um complemento que potencializa o trabalho dos educadores, mas jamais substitui a interação humana nos processos de ensino e aprendizagem.
E você, lembra da sua reação após o primeiro contato com a IA generativa? O que você pensa ser o maior desafio dos docentes após as primeiras interações com os chatbots? Conta para a gente nos comentários e faça esse artigo chegar a mais pessoas interessadas no tema.
REFERÊNCIAS
CHALLCO, Geiser Chalco; CRUZ, Wilmax Marreiro; ISOTANI, Seiji; BITTENCOURT, Ig Ibert. Inteligência Artificial Generativa na Educação. E-book em PDF. IA.EDU/NEES, 2024. ISBN 978-65-01-23423-6.
FLORES, Thiago Rodrigues; IRALA, Valesca Brasil; PIOVESAN, Sandra Dutra. Evidências sobre Inteligência Artificial e materiais instrucionais na educação: uma revisão de escopo. Texto Livre, 2026, 19: e60769. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/tl/a/4wj4pF3hsmZRCgDdTNfGnFf/?lang=pt>. Acesso em: 03 jul. 2026. doi:https://doi.org/10.1590/1983-3652.2026.60769
NASCIMENTO, Márcio Silveira; MARTINS, Sidney Pires; SANTOS, Éber José dos. Professores e inteligência artificial generativa (IAG): mediação, desafios e oportunidades para o engajamento discente. Devir Educação, [S. l.], v. 10, n. 1, p. e-1116, 2026. DOI: 10.30905/rde.v10i1.1116. Disponível em: https://devireducacao.ded.ufla.br/index.php/DEVIR/article/view/1116. Acesso em: 3 jul. 2026.
* Jhonatan Xavier é Pedagogo, Especialista em Games e Gamificação na Educação, Mestre em Ensino de Ciências na Amazônia e Doutor em Ensino Tecnológico. Professor Formador em tecnologias digitais e metodologias ativas na Secretaria Municipal de Educação de Manaus. Pesquisa temas como inovação tecnológica, metodologias ativas, abordagem STEAM e Ensino de maneira interdisciplinar.
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