Venture Builder e como esse modelo tem transformado startups
Por Bruno Alencar – CEO da Amazônia Venture Builder
O universo das startups segue em forte expansão no Brasil. De acordo com dados de agosto de 2025 do Observatório Sebrae Startups, o país conta com mais de 20 mil startups ativas — um crescimento superior a 30% em relação a 2024.
Em maio de 2025, o ecossistema já somava 19.600 startups, demonstrando um avanço contínuo e consistente. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), em parceria com a Deloitte, o número de fundações de startups cresceu 41,9% desde 2020, e entre 2015 e 2019 esse número mais que triplicou, saltando de 4.151 para 12.727. Esses dados evidenciam o vigor do ecossistema de inovação brasileiro — mas também revelam um desafio: nem todas as startups conseguem sobreviver aos primeiros anos de operação.
É nesse contexto que surge um modelo cada vez mais relevante: o das Venture Builders, também conhecidas como fábricas de startups.
1. O que é uma startup?
Antes de compreender o papel das Venture Builders, é importante entender o que é uma startup. Uma startup é uma empresa jovem, inovadora e escalável, criada para desenvolver soluções que resolvem problemas reais de forma eficiente, utilizando tecnologia e modelos de negócio disruptivos. Diferente das empresas tradicionais, as startups operam em ambientes de alta incerteza, testando hipóteses rapidamente, ajustando produtos e modelos conforme aprendem com o mercado. Elas nascem pequenas, mas com potencial de crescer exponencialmente — e é justamente por isso que precisam de apoio estratégico, capital e estrutura para se consolidarem.
2. O que é uma Venture Builder?
As Venture Builders (VBs) são organizações especializadas em criar, investir e desenvolver startups de forma estruturada, atuando como cofundadoras (co-founders). Diferente das aceleradoras, incubadoras ou fundos de investimento, a Venture Builder participa diretamente do dia a dia da startup, contribuindo com know-how, gestão e infraestrutura.
Entre os principais aportes estão:
• Estrutura jurídica e contábil;
• Planejamento estratégico e comercial;
• Desenvolvimento tecnológico e design;
• Acesso a redes de mentoria e investidores;
• Captação de recursos e programas de fomento;
• Governança corporativa e gestão de riscos.
Em troca, a Venture Builder passa a ter participação acionária (equity) nas startups que ajuda a desenvolver, acompanhando todo o ciclo de crescimento até o exit — quando há retorno financeiro sobre o investimento e o know-how aplicados.
3. Como surgiu o modelo Venture Builder
O conceito de Venture Builder nasceu da necessidade de otimizar o tempo e os recursos dos empreendedores, permitindo que se concentrem na inovação e no produto, enquanto uma equipe especializada cuida das áreas operacionais. A pioneira desse modelo surgiu na década de 1990, nos Estados Unidos, sendo o embrião desse formato. Posteriormente, a Rocket Internet, na Europa, e outras empresas ao redor do mundo consolidaram o conceito ao lançar startups em série com alto potencial de crescimento. Hoje, as Venture Builders são consideradas estruturas de inovação aberta (Open Innovation), atuando como hubs que conectam startups, corporações e investidores em um mesmo ecossistema de criação e escalabilidade.
4. Diferença entre Venture Builder, aceleradora e Venture Capital
Embora todos os modelos estejam inseridos no ecossistema de inovação, suas atuações são distintas:
• Incubadoras oferecem infraestrutura e mentoria inicial para ideias em fase embrionária.
• Aceleradoras promovem programas intensivos de curto prazo (3 a 6 meses) para startups que já estão operando.
• Fundos de Venture Capital (VCs) investem capital financeiro, mas não participam da operação.
• Já as Venture Builders são cofundadoras: constroem startups do zero ou em parceria com empreendedores e participam diretamente da execução e crescimento.
Em resumo: enquanto aceleradoras ensinam e investidores financiam, as Venture Builders constroem.
5. A Amazônia Venture Builder: inovação e impacto a partir da floresta
A Amazônia Venture Builder (AVB) nasceu com o propósito de criar uma nova matriz econômica sustentável para a Amazônia, desenvolvendo startups de impacto socioambiental e tecnológico. Com sede em Manaus, a AVB atua como cofundadora das startups, fornecendo suporte completo em áreas como tecnologia, contabilidade, jurídico, marketing e captação de recursos.
Nosso portfólio conta com 20 startups que refletem o poder da bioeconomia e da tecnologia amazônica, entre elas:
• 🌱 FIPO – fabrica bioplásticos a partir de caroços de açaí e tucumã, gerando renda a comunidades locais;
• ⚡ Boram Motos Elétricas – montadora de motos elétricas com mais de 3 mil unidades vendidas;
• 💧 Awty – realiza limpeza de rios e igarapés, transformando resíduos em produtos reciclados;
• 🧬 BioSpin – desenvolve nanotecnologia e biocosméticos com insumos amazônicos.
Entre outras. Conheça o portfólio completo em www.amazoniavb.com.
Esses negócios demonstram que é possível gerar impacto positivo e resultados econômicos, unindo tecnologia, sustentabilidade e propósito.
6. Resultados e impacto
A AVB já ultrapassou R$ 9 milhões captados em investimentos diretos e alcançou R$ 100 milhões em valuation consolidado do portfólio. Nosso modelo de atuação abrange todas as etapas da jornada de uma startup — da ideação à escala — com foco em eficiência, governança e impacto.
Mais do que números, cada startup representa um elo de transformação na economia amazônica, ajudando a posicionar a região Norte como um polo de inovação global.
7. Conclusão: o futuro é construído a partir da Amazônia
As Venture Builders representam a nova fronteira do empreendedorismo tecnológico. Na Amazônia, elas assumem um papel ainda mais profundo: o de provar que é possível inovar e preservar ao mesmo tempo. A Amazônia Venture Builder é um exemplo vivo de que o futuro da economia verde e digital pode — e deve — nascer da floresta.
Inovar a partir da Amazônia é, hoje, um dos movimentos mais estratégicos e inspiradores do país — e do mundo.
Bruno Alencar – CEO da Amazônia Venture Builder
** O conteúdo e as opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade exclusiva dos autores.
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